segunda-feira, 23 de março de 2009

Constelações

Com aqueles amigos, que amava como a irmãos, à época, éramos intrusos num mundo percorrido em vão.
Éramos resultado da chuva deslizando por paralelepípedos de ladeiras silenciosas, sendo enforcados no puxão da ciranda por um manto notívago e imundo.
Ávidos por liberdade, sob o sol e o efeito do vinho, observando os passos daqueles que eram humanos, caçoávamos deliberada e ternamente de nossas impossibilidades.
Ludibriávamos o suicídio em nossas mentes procurando cavalos alados que nos salvassem dos náufragos que nos tornamos.
No resgate do dia, fantasmas sobre a Terra, exauridos de nossas cegueiras, inigualáveis gargalhadas gaguejantes pedindo fuga sob as próximas constelações...

sexta-feira, 13 de março de 2009

"Algo há das marcas que o tempo jamais levará.
O filho que não tive certamente já me perdoou e o milagre da vida invade minha solidão.
Fiz uma canção dolorida para dois amores: um, platônico, outro, real.
Da confusão de minha dubiedade, dei vazão à solidão no vácuo entre o que é generoso e o que é esgoísta.
Nada encontrei.
Tudo se desfez.
Eu volto a ter medo, mas seria nada honroso fingir para não senti-lo."

(fragmento de poema do livro "Tudo o que eu posso ver")

O LIVRO PODE SER ADQUIRIDO ATRAVÉS DO E-MAIL joaocony@gmail.com

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Sem frescuras

Sinto que escancarei de vez as portas do meu coração para o nosso Amor, dando-me a chance do instinto primal da Liberdade!
A saudade agora me angustia docemente...
Eu preciso da inocência das crianças, não da ingenuidade dos cegos e automutilados!
A velha tontura torturando o brilho autômato...
Transpiro insegurança no palavrório gaguejante, e tu, mesmo não vendo meus olhos, sabes que direciono para um baixo ponto fixo na minha memória.
Meu desejo pelo sorriso que és capaz de ter para com a vida, faz-me alongar o tempo inútil...
De fantasias desfeitas alimento esperanças.
Recolho-me nesse ferver das histórias fazendo comunhão dilacerante em minha carne faminta desde o primeiro som do dia.
A fuga de alguns insetos me produz um senso peculiar do que minhas desastrosas profecias lunares têm por fuga o respirar concedido pela racionalização do querer bem, e então eu te amo em todo o abandono das necessidades egocêntricas.
Sou um laboratório animado e sem experiência no que dizem eles ser a felicidade.
No entanto, a riqueza está é no despojamento empírico do meu movimento brutal e das minhas batalhas aportadas e naufragadas produzindo meu sorriso e alguns sentidos que não saberei, mas acolhidos em si.
Há um lamento sutil no meu silêncio.
Há um tanto de empáfia na erudição estreita da expressão "laico".
Por favor, meu chapa, explica isso aos doutores!
Ah, como é bom ver esse riso irônico na banguelice sincera do povo!
Para egoístas e senhores, dedico última linha em desapego.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Clichê

As pessoas têm pena de mim quando desempenho de maneira tão prazerosa o trabalho que elas mesmas admiram.
Mal sabem que a liberdade das minhas palavras - ditas, faladas e escritas - é a força necessária para romperem suas correntes.
Parabéns pelo objeto?
Ou o subjetivismo as pegou?
Irrompo medo e raiva conquistando os sorrisos distintamente.
Recuo, criticado pela infeliz inveja.
No conflito do silêncio voltado para dentro do silêncio, quebro-as ao meio tocando seus finais, e eu construo a primeira linha.
Vibro por descobrir que não quero a aprovação de todos.
Sou surpreendido pelos que subjugara.
Enrouqueço de paixão.
Provoco amorosamente náuseas e distúrbios do ar me sufocam.
Bebo a água elaborada e discurso.
Estranham e riem do meu trabalho.
Eu sinto os pés na cidade natal e sorrio de minhas palhaçadas filosóficas desenhando interrogações e admiração em seus semblantes que respondem com um silêncio curioso para nunca mais voltarem ou com uma empolgação inexplicável que os fazem retornar para sentirem, na sua hora, o que lhes for dado de dentro de suas percepções.

Na praça, na casa

Minha mente subverte realidades usufruindo de velhas pseudocatástrofes.
Meu corpo navega pelos sonhos suspensos nas paredes da tua casa imaginária.
Meu coração infla-se, sufoca-me de paixão e eu cumpro meu trabalho amoroso mais precioso unindo-me em Artes e faço-me essencial para tua paz.
Gasto-me em tempos modernos para atravessar a lógica e atingir algo ainda sem nome.
Vasculho, nas feridas profundas das gentes com interrogação e receio nos gestos, o que com palavras, lhes questiono-me.
Saboreio momentos efêmeros.
Sinto o Tempo estagnado.
Ajo percebendo a mecanicidade objetiva necessária para, subjetivamente, mover-me-nos.
Estrangulo ideais para aprender sobre a vida, e isso não é sacrifício.
Toda flor, toda flor suscitando!
Toda dor, toda dor se calando!
Todo Amor, todo Amor nos Amando!

Ecos

O que realmente será esse pensamento?
Raciocínio?
Sentimento?
Dúvida?
Holocausto?
Trabalho?
Há uma cidade dramática circulando por minhas vias.
Respiração de prazer assíduo moldando-me da prostração gradeada - rompida pelos fenômenos das surpresas - ao livre acesso das palavras e do silêncio dizendo-me profunda e calmamente: respira, entende, cresce, não vigia, compartilha, arrepia, chora, une!
Vejo no olhar lascivo a imensidão de dentro provinda.
Há um eco chamando-te no espelho.
Um rosto formoso entristecido pela própria beleza.
Muda, não cala.
Despeja teu silêncio gritante renovado num sorriso.
Atraio-te sem enganos, sem desordem.
Ligo-me à ciência e sinto um sussurro de coragem que nos leva... sempre!

Raciocínio sentimental

Tu és o anjo a cuidar de meu coração.
Eu sou teu homem dedicando-te proteção.
Deixo-me aprender-te.
Inflo-te de dúvidas.
Ajo - sensato buscar.
Penso - incoerente inércia.
Concentro meu frágil raciocínio numa tempestade sentimental e vejo a força da natureza no céu aberto em minha alma.
Abraço o mundo e, vagando pelos porões de naus desumanas, encontro no mar desgovernado e sem brilho, escravos impessoais ojerizando a própria fraqueza.
Não me abato.
Observo.
Às vezes, choro pela sua incapacidade de estender a mão.
Me pergunto: sou eu daqui?
Relembro dos meus sonhos.
O Amor é o sonho vivido.
A Arte, o conquistado.
O Amor-próprio é o sonho aprendido.
A Liberdade, o mais valorizado.