Quando eu penso,
as reflexões constróem vias
até meu organismo,
e o meu corpo reage.
Quando eu sinto,
o arrepio que da Alma transborda
banha moléculas engessadas
e restaura partículas.
Por isso, gesticulo tanto,
solitário,
transeunte
vagando pelas ruas
enquanto dos que riem
ou rejeitam meus trejeitos,
penso:
"será que pensavam algo antes ou depois
de por mim passarem e, então,
raciocinam?"
Não sou tão importante, é claro.
E, afinal, têm os que conseguem ficar com a cabeça vazia.
Invejo-os...
Mas enquanto escrevo essa reflexão,
parado sob meu guarda-chuva
sob a chuva quente,
um deles disse algo sobre
o fato de eu estar imerso
em minhas anotações...
Bem, alguma Alma
tocada
numa atmosfera
qualquer...
terça-feira, 6 de março de 2012
Carências...
Toda vez que tua mãe me olhou,
disse,
em silêncio:
"coitado desse guri...
será que não percebe?",
ao invés de:
"bá! Que felicidade ver minha filha bem,
tomando rumo na vida!"
Sempre um olhar surpreso
por minha inocente idiotice...
O idiota - invariavelmente - cairá
na mesma cilada contra as mesmas armas...
Isso é fato...
A novidade é a novidade,
e não a fenda entre tuas pernas,
com a qual faço da vida um encanto
que tu não respeitas após todo o momento mergulhado em ti,
senão fazes da tua ausência
o oxigênio que só tu me tiras,
pois, quando sem ti,
há tanto ar ao redor de meu ser
que meu cérebro não dói como em tardes de tempestade...
Também é fato que respiro melhor entre outras pernas...
Pra quê, então, a prisão da tua carência?
...
disse,
em silêncio:
"coitado desse guri...
será que não percebe?",
ao invés de:
"bá! Que felicidade ver minha filha bem,
tomando rumo na vida!"
Sempre um olhar surpreso
por minha inocente idiotice...
O idiota - invariavelmente - cairá
na mesma cilada contra as mesmas armas...
Isso é fato...
A novidade é a novidade,
e não a fenda entre tuas pernas,
com a qual faço da vida um encanto
que tu não respeitas após todo o momento mergulhado em ti,
senão fazes da tua ausência
o oxigênio que só tu me tiras,
pois, quando sem ti,
há tanto ar ao redor de meu ser
que meu cérebro não dói como em tardes de tempestade...
Também é fato que respiro melhor entre outras pernas...
Pra quê, então, a prisão da tua carência?
...
Para a Constituição do Ser
O que farei quando as feridas e dores vierem
e eu perceber serem o que o Amor gerou?
A vida não é uma poesia inteira a indagar?
O calvário de todo humano é a solidão.
Experimenta as paredes de um hospício,
o vazio no fundo das vozes carcomendo a mente,
a culpa a cada percepção de um ontem misterioso
tão conhecido,
tão esquecido...
Depois luta por paz.
O Tempo dirá ser difícil e,
quando achares que estás melhorando,
um fantasma velho,
um cotidiano insosso
ou uma luta de humores
te mostrará que tudo
será sempre apenas
um recomeço...
Tudo devido à capacidade crítica
que vem se aguçando.
Preferirias trocar isso
por desmemórias em série?
Sei que não...
Prossegue indagando.
Nada é mais sábio do que a interrogação pensante.
Não achas?
e eu perceber serem o que o Amor gerou?
A vida não é uma poesia inteira a indagar?
O calvário de todo humano é a solidão.
Experimenta as paredes de um hospício,
o vazio no fundo das vozes carcomendo a mente,
a culpa a cada percepção de um ontem misterioso
tão conhecido,
tão esquecido...
Depois luta por paz.
O Tempo dirá ser difícil e,
quando achares que estás melhorando,
um fantasma velho,
um cotidiano insosso
ou uma luta de humores
te mostrará que tudo
será sempre apenas
um recomeço...
Tudo devido à capacidade crítica
que vem se aguçando.
Preferirias trocar isso
por desmemórias em série?
Sei que não...
Prossegue indagando.
Nada é mais sábio do que a interrogação pensante.
Não achas?
segunda-feira, 5 de março de 2012
Tempo
Não tenho pressa.
Por que haveria de tê-la
se não é
o que
ou
como faço
que me proporciona as conquistas,
mas o Tempo que leva
para elas chegarem,
e isso não cabe a mim saber,
mas a esse enigma que nós,
estúpidos humanos,
enclausuramos
dentro de caixas
com o formato de uma Terra
que gira
sem a mínima pretensão
de dar-nos qualquer satisfação
de seu movimento e curso naturais?
Por que haveria de tê-la
se não é
o que
ou
como faço
que me proporciona as conquistas,
mas o Tempo que leva
para elas chegarem,
e isso não cabe a mim saber,
mas a esse enigma que nós,
estúpidos humanos,
enclausuramos
dentro de caixas
com o formato de uma Terra
que gira
sem a mínima pretensão
de dar-nos qualquer satisfação
de seu movimento e curso naturais?
sábado, 3 de março de 2012
Um Fomento às Docilidades
E essa vontade minha?
É algo que te faça sorrir
quando espero tuas palavras.
...
E nesses dias longos...
Um sol de memória.
Noites sonoras, madrugadas inquietas.
Debruçada onda de éter na literatura.
O vulcão arrepiante
das canções que não fiz,
mas, em tua nova sessão de graças,
inspiração no meu consciente e inconsciente
mais sentimental
à beira da Lua,
do Sol
e das Marés...
É algo que te faça sorrir
quando espero tuas palavras.
...
E nesses dias longos...
Um sol de memória.
Noites sonoras, madrugadas inquietas.
Debruçada onda de éter na literatura.
O vulcão arrepiante
das canções que não fiz,
mas, em tua nova sessão de graças,
inspiração no meu consciente e inconsciente
mais sentimental
à beira da Lua,
do Sol
e das Marés...
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Umbilical
A dor e a leveza de te perder para o colo umbilical de Deus...
Entro na noite,
escondido em teu silêncio
a procurar nossa foto...
a mais expressiva.
Dentre tantas,
a única que não achei,
a única que eu queria emoldurar...
Eu e minhas feridas:
memória será sempre uma corrosão
e uma ternura ao mesmo tempo.
O intervalo entre o céu que conheces
e o que eu imagino é incomensurável...
Vibro Amor.
Sangro dos olhos a dor para,
dela, libertar-me.
Perco o fôlego.
Suspiro meu coração
mastigado cru pela incoerência
que é tua morte.
Respiro pelo teu legado
e enfrento mais um dia,
outra vida,
já que, agora, sem tua presença física,
sem tua voz,
sem tua ironia,
sem teu viço nos olhos
tatuado em minha alma.
Quinze anos atrás
te disse que desejava morrer,
que essa vida não me interessava mais.
Tua resposta foi o espanto, perguntando-me:
"Cara! Mas pensa na gente! Na vó,
em todos os teus amigos!
Como é que a gente vai ficar?
Pensa como é que eu vou me sentir!"
Lembro de sorrir por ver teu Amor
sorrindo um desespero
nos gestos,
nos olhos,
nas palavras.
Estou aqui, não é?
Diga-me, guri: eu estou aqui, não é?
É...
Agora elas vieram,
já que te chamei:
lágrimas da saudade dançam
tua coragem e tua memória
em meu rosto de bebê velho.
Estava com medo da caneta e do papel, reconheço...
Como vou criar outra coisa agora
senão a tua vida que terei de inventar
para acordar todos os dias?
Esse sentimento...
será isso coisa de Deus?
Por que em quem tanto confiei,
agora me tirou tantos amanhãs
e me deu esse inferno na alma?
Meu solitário trabalho:
nosso alívio através do tempo,
pois tu deves estar me vendo chorar...
De onde?
Aparecerás pra mim de novo?
Poderias, por favor, me trazer
a explicação que Deus te deu?
Que Deus não me dê,
nessa vida,
maior dor
do que a que sinto
nesse eterno agora!
(para Matheus Cony Lopes dos Santos,
in memoriam)
Entro na noite,
escondido em teu silêncio
a procurar nossa foto...
a mais expressiva.
Dentre tantas,
a única que não achei,
a única que eu queria emoldurar...
Eu e minhas feridas:
memória será sempre uma corrosão
e uma ternura ao mesmo tempo.
O intervalo entre o céu que conheces
e o que eu imagino é incomensurável...
Vibro Amor.
Sangro dos olhos a dor para,
dela, libertar-me.
Perco o fôlego.
Suspiro meu coração
mastigado cru pela incoerência
que é tua morte.
Respiro pelo teu legado
e enfrento mais um dia,
outra vida,
já que, agora, sem tua presença física,
sem tua voz,
sem tua ironia,
sem teu viço nos olhos
tatuado em minha alma.
Quinze anos atrás
te disse que desejava morrer,
que essa vida não me interessava mais.
Tua resposta foi o espanto, perguntando-me:
"Cara! Mas pensa na gente! Na vó,
em todos os teus amigos!
Como é que a gente vai ficar?
Pensa como é que eu vou me sentir!"
Lembro de sorrir por ver teu Amor
sorrindo um desespero
nos gestos,
nos olhos,
nas palavras.
Estou aqui, não é?
Diga-me, guri: eu estou aqui, não é?
É...
Agora elas vieram,
já que te chamei:
lágrimas da saudade dançam
tua coragem e tua memória
em meu rosto de bebê velho.
Estava com medo da caneta e do papel, reconheço...
Como vou criar outra coisa agora
senão a tua vida que terei de inventar
para acordar todos os dias?
Esse sentimento...
será isso coisa de Deus?
Por que em quem tanto confiei,
agora me tirou tantos amanhãs
e me deu esse inferno na alma?
Meu solitário trabalho:
nosso alívio através do tempo,
pois tu deves estar me vendo chorar...
De onde?
Aparecerás pra mim de novo?
Poderias, por favor, me trazer
a explicação que Deus te deu?
Que Deus não me dê,
nessa vida,
maior dor
do que a que sinto
nesse eterno agora!
(para Matheus Cony Lopes dos Santos,
in memoriam)
domingo, 8 de janeiro de 2012
"Cores"
Teu olhar de terra preta,
fecunda para o hibiscus.
Vermelha boca, sangue, fruta, carne:
suco escorrido,
massa caminhante com bandeira no coração.
Além, se vê o céu:
tempestade e estio
alternam-se sobre o éter de concreto
que os sonhos
- sempre volantes -
desconhecem medo,
feito ternura e ironia num sorriso.
O Amarelo Deus seca e umedece os corpos,
agora flâmulas de ouro derretido
em chamas ao vento.
O cinza intempestivo
é sufocado
pelas cinzas
do vulcão em lavas
de nossas mãos,
início prazeroso do céu
que choverá saudades
no fim desse mesmo gesto da pele,
objeto de tendências destrutivamente solitárias.
Chove...
Somos cegos geográficos.
Depois, o azul:
abóbada infinita
para a qual apontamos o vislumbre em par
nas nossas nuvens:
a Liberdade
das pontas dos dedos
escorrida para as palmas das mãos
e, dali, alcançando
a ardência da carne
que guarda o coração...
fecunda para o hibiscus.
Vermelha boca, sangue, fruta, carne:
suco escorrido,
massa caminhante com bandeira no coração.
Além, se vê o céu:
tempestade e estio
alternam-se sobre o éter de concreto
que os sonhos
- sempre volantes -
desconhecem medo,
feito ternura e ironia num sorriso.
O Amarelo Deus seca e umedece os corpos,
agora flâmulas de ouro derretido
em chamas ao vento.
O cinza intempestivo
é sufocado
pelas cinzas
do vulcão em lavas
de nossas mãos,
início prazeroso do céu
que choverá saudades
no fim desse mesmo gesto da pele,
objeto de tendências destrutivamente solitárias.
Chove...
Somos cegos geográficos.
Depois, o azul:
abóbada infinita
para a qual apontamos o vislumbre em par
nas nossas nuvens:
a Liberdade
das pontas dos dedos
escorrida para as palmas das mãos
e, dali, alcançando
a ardência da carne
que guarda o coração...
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